
O quarto tem paredes azuis, de tons diferentes. Duas delas são de tijolinho, uma de madeira e a outra tem um trabalho em alto relevo. Há duas portas, por entram as diferentes luzes do quarto. Uma cama box de casal divide o quarto ao meio, deixando de um lado a parede trabalhada, a televisão e uma mesa de computador e de outro, torres de cd's, livros, revistas, etc. É madrugada, e a única fonte de iluminação do lugar vem de uma luminária agarrada à mesa onde há um computador ligado e ela, a Lilian, 28 anos, cabelos curtos e pretos. Ela está sentada, e, em detalhe, mostra-se o teclado, a tela, a data que aparece na tela, que marca o mês de março e o ano de 2006, e seu reflexo no rosto de Lilian. Ela abre uma janela, clica, clica, clica e uma música começa a tocar. No dedilhado do violão, ela já fecha os olhos e começa a cantar mentalmente a música:
"Você diz que não me reconhece, que não sou o mesmo de ontem..."
Imediatamente ela começa a escrever, descrever, imaginar, dar vida à várias personagens, histórias, amores. Em várias cenas entrecortadas, Lilian escreve e sente cada palavra digitada ao som de Paulinho Moska.
BLACKOUT
CORTA PARA CARTELA:
"3 ANOS DEPOIS"
CORTA PARA
CENA 02 - INT / MADRUGADA / ENTRADA DO BAR EM JUIZ DE FORA
É uma noite linda, o céu está completamente tomado de estrelas, visíveis do estacionamento do bar, que fica em cima de uma pedreira perdida na estrada. O bar está cheio, há uma fila, vários carros parados. Em Plano Sequência, Lilian e suas amigas seguem em direção à porta e entram. Há uma certa confusão, uma demora em pegar a comanda.
Enquanto isso, Ana Paula conversa com um homem que traz o crachá "PRODUTOR" no pescoço. Ana acena para Lilian e a chama para perto. Lilian aproxima-se, logo após passar pela catraca. Ana apresenta o produtor. O produtor cochicha algo no ouvido de Lilian e saem andando, em direção a uma porta.
CENA 03 - INT / MADRUGADA / CAMARIM DO BAR
Lilian segue o produtor por um corredor. várias pessoas, garçons, músicos passando com instrumentos, até uma porta. Moska, barba, olhos expressivos, camiste preta com sua marca registrada ao centro, chega e convida Lilian para entrar. Eles se abraçam.
LILIAN
É uma honra enorme te conhecer, não imagina, eu sou diretora e fiz um filme...
Ele pega o DVD. Sorri
MOSKA
Olha.. "O Móbile"!
LILIAN
É... um filme que lancei esse ano, e queria que soubesse que eu escrevi o roteiro inteiro ouvindo suas músicas...
MOSKA
E eu tenho uma música chamada "Admiração"!
LILIAN
É, eu sei!! Mas só fui saber depois que tinha escrito esse roteiro.
MOSKA pega o DVD, abraça Lilian, autografa o cd Zoombido que estava nas mãos dela, escreve "Móbile!", e, neste momento, a câmera começa a sair, de costas, deixando os dois conversando por mais algum tempo ao fundo. Ele pega o celular da mão de Lilian e tira uma foto dos dois, enquanto, na frente da câmera que se afasta, vão aparecendo novamente os garçons, os músicos, a produtora, a porta...
FIM
...Ontem eu realizei um sonho. Sinto, na verdade, que fechei um ciclo. Fato por demasia importante neste meu momento de vida. Eu consegui entregar um pedaço da minha alma para um grande ídolo, dono de uma das vozes mais amigas que já tive, criador das letras mais penetrantes que alguém já pode ter ouvido. Paulinho Moska faz parte da minha vida muito antes de "O Móbile" existir. E, talvez por isso, tenha passado a existir. Quando falo que escrevi os roteiros ouvindo descompensadamente as músicas do Moska, não estou iventando, exagerando, nada disso...

Foi assim e, quando me lembro disso, começo a perceber como funcionam minhas motivações. Eu fui até o fim com aquela pequena história, a Admiração, primeira a nascer duas vezes, primogênita mais que especial. E o começo de tudo foram as letras de Paulinho.
Lembro que o nome, nossa, o nome... Sempre falei, junto com uma grande amiga/irmã da minha vida, a Myriam, que "Um Móbile no Furacão" (ou O Retrato do Homem Nu) era a música de nossas vidas!! E, daí, móbile sempre foi algo completamente familiar a mim... Quando pesquisando sobre ele, suas músicas, me deparei com "Do Amor", um torpor tomou conta do meu corpo. Estava ali! Era isso!! Como não percebi antes.... O Móbile...
"Porque o amor é um móbile. Como fotografá-lo?"
Desde então, dentre milhares de outras coisas que tento fazer com ele, venho tentando fotografá-lo. Em vários momentos, em minhas histórias, em minhas idéias e ações. Nem sempre acerto. Mas continuo tentando.
Obrigada, Paulinho Moska, pela sua gentileza em ser tão, mas tão sensível, humano, poeta. Por ter dado para o mundo frases tão imprescindíveis como:
...meus olhos famintos não se cansam de te acariciar...
...é tudo novo de novo...
...tudo se compoem e se descompoe...
...lágrimas de diamantes, de dia lágrimas, de noite amantes...
...tudo pra mim é tão pouco, e pouco eu não quero mais...
...sou um móbile solto no furacão, qualquer calmaria me dá solidão...

E LEMBRE-SE DE VER O FILME!!
Siga o link para ver o filme!!!
http://migre.me/6TYg
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário sobre "O Móbile"!