Precisei esperar. Entre mim e o filme, havia um poço. Poços.
Agora voltei. Está difícil, complexo, mais uma confissão. Como voltar a tocar em seu filho depois de meses sem olhá-lo nos olhos. Me forço a. Queria que ele aprendesse a andar sozinho, mas não é assim. Agora chegou a vez. Agora vai. Agora eu entro de cabeça nessa história, termino o filme e apresento para sua apreciação. O que você vai achar? Não sei... mas o que vai sentir, faço idéia... porque tudo o que gira em torno do Móbile é tão denso, profundo, emocional, vivo, intenso.... tudo, para todos. Cada um dos que converso, me dizem coisas como "divisor de águas", "dias para jamais se esquecer", "dá vontade de viver aquela loucura todos os dias de nossas vidas", "você tem que produzir mais, cadê o segundo?" Coisas assim você vai sentir.
E eu digo... cada um dos sentimentos que ele provocou, provoca e vai provocar tem fundamento. Pois todos são a mais profunda verdade do meu coração e do coração de cada uma das pessoas envolvidas na produção. Verdade do coração e da alma, diga-se de passagem.
Eu, por exemplo. Além da realização, vitória, conquista, tem o amor. Me apaixonei pelo filme, no filme, pelas pessoas do filme, por uma em específico, vivi cada segundo dessa história, da pré-história, da pós que acontece hoje. Vivo cada instante, móbile. E a vida muda de novo. Tudo muda. Tudo novo de novo. E eu continuo apaixonada. Meu espírito clama por aqueles momentos.
Parece que foi ontem. Queria que tivesse sido ontem. Queria que não tivesse acabado. Ainda amo aqueles dias. Agora, distantes, tenho que observá-los em terceira pessoa. Em imagens. Imagens cortadas. E comigo, os meninos que vibram a cada som mixado, a cada plano colado, a cada som que vai virar trilha... Nesse momento muito particular que é a edição, é preciso mesmo o afastar do resto do mundo, o isolamento. Com meu sensível e amigo editor, que compartilha comigo momento tão especial. (Ele não esteve nos dias da gravação, mas o que ele sente através das imagens me dá uma idéia do que você vai sentir.) Porque mais do que nunca é preciso mergulhar na história, pra saber o que realmente é essencial e o que lhe sobra. A minha, no caso, está de dieta... como lhe sobra... o pior é que sobra coisa muito boa.. está ficando enorme!! Mas está tão linda, tão perfeitamente encaixada, cena por cena, detalhe por detalhe, atuação por atuação (que atuações... nossa). Enfim... sei que vai sair a história que precisa ser contada, porque foi a história vivida.
Sabe aquele lance, a vida imita a arte? Ou vice-versa... Então.... No fim, o que deve ser mais importante, o amor ou a arte?
Ainda tentando descobrir em cada plano que edito. Espero sinceramente não ter que concordar com a história que eu mesma escrevi... admitir que estava certa.. rsrsrs
Luto o tempo todo para mostrar que não é preciso abrir mão do amor para se viver... Ou da vida para se amar.
No momento, estou lutando para provar isso pra mim mesma...
O filme está quase pronto, sem data ainda marcada, lançamos na segunda quinzena de dezembro. Então, terei oportunidade de deixar fluir pra todos esse furacão de sentimentos que nós vivenciamos nos dias de "O Móbile: Admiração".
Veja o trailer oficial aqui.... http://lilianwerneck.multiply.com/video/item/29/29
....Meus olhos famintos não se cansam de te acariciar.... procuram sempre um novo ângulo para te admirar...
pronto. mais um medo vencido. agora faltam poucos.
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